Os fundos de ações não passaram ilesos pela queda de 18,11% do Índice Bovespa em 2011. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), essas carteiras registraram resgates de R$ 1,399 bilhão no ano passado.
Os fundos de ações não passaram ilesos pela queda de 18,11% do Índice Bovespa em 2011. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), essas carteiras registraram resgates de R$ 1,399 bilhão no ano passado.
Com a queda da bolsa, o aumento da taxa de juros em uma parte de 2011 e a crise europeia, o investidor fugiu de aplicações de maior risco, buscando portos mais seguros como as carteiras de renda fixa.
A expectativa dos gestores para este ano é que o investidor busque alternativas mais arriscadas, empurrado, inclusive, pela queda de retorno nas aplicações de renda fixa, com o corte da taxa Selic. Mas essa migração para os fundos de ações e os multimercados não se dará do dia para a noite.
"É preciso que haja uma definição na crise europeia, para o bem ou para o mal, porque o pior cenário é o de indefinição", diz o sócio da GAP Asset Management José Eduardo Louzada de Araujo. Os fundos multimercados, por exemplo, conseguem ganhar mesmo com a queda do mercado, contanto que haja uma direção clara, lembra Louzada.
Os gestores acreditam que a busca por fundos de maior risco deve começar a ganhar força a partir do segundo semestre. "Neste começo de ano ainda não vejo dinheiro novo para essas aplicações; o investidor está no momento "vamos esperar para ver"", define Louzada.
O primeiro trimestre deve ser o mais crítico em termos de aversão ao risco. A partir do segundo trimestre, com a percepção de que a inflação no Brasil e na Ásia está sob controle e de que essas economias estão crescendo, deve começar um movimento gradativo em direção ao risco, diz um gestor de recursos. Ele acredita que o melhor momento para entrar nesses fundos, portanto, seja o fim do primeiro trimestre.
Para o principal executivo da HSBC Global Asset Management, Pedro Bastos, o primeiro semestre deve ser um espelho de 2011, com muita volatilidade e cautela. Já na segunda metade do ano, a preocupação com o menor crescimento da China deve se reduzir, assim como o cenário nos EUA e Europa ficar um pouco mais claro. "Aí, diante de juros mais baixos, o investidor pode começar a olhar para ações", afirma.
Apesar de o investidor ter buscado em 2011 refúgio na bolsa em ações de empresas boas pagadoras de dividendos - o que trouxe forte valorização para os papéis do setor de energia, por exemplo -, os fundos de dividendos encerraram o ano passado com retorno modesto. Segundo dados da Anbima, o ganho médio foi de 3,79%.
De acordo com Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, papéis de outros segmentos bons pagadores de dividendos - que normalmente compõem uma parcela importante do portfólio - caíram no ano passado.
As ações de bancos, por exemplo, sofreram bastante em 2011 com a fuga dos investidores estrangeiros, que temiam um contágio da crise europeia em todo o setor financeiro local. Muitos gestores colocam também uma parcela pequena em ações de Petrobras e Vale, que se desvalorizaram, lembra Takahashi.
FONTE: Valor Econômico